quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cinemas do Fonseca I - Cine São Jorge





 O Cinema São Jorge foi inaugurado em 1954 com cerca de 2 mil lugares. Ao longo dos anos, foi caindo de qualidade e diminuindo sua lotação, que chegou a menos de 1 mil espectadores. Foi um cinema popular que programava sessões duplas, localizado na Alameda São Boaventura.

Mesmo tendo virado um supermercado, a fachada original do Cine São Jorge ainda é visível, com seu recorte em forma de pirâmide de degraus e uma discreta torre em sua extremidade lateral.

Dotado de plateia e balcão, o que seria seu segundo andar foi transformado no estaciomento do supermercado. Lá ainda é possível verificar a estrutura em arco original do cinema, percebendo, incluisive o local onde ficava a tela e onde ficava a cabine de projeção. As duas fotos abaixo mostram a visão dos dois lados.

 
Comparem as fotos acima com a imagem ao lado, retirada de uma reportagem de 1955 sobre a inauguração da nova tela panorâmica no Cine São Jorge para ver as semalhanças.

sábado, 13 de outubro de 2012

Cinemas de Santa Rosa II - Cine Santa Rosa

Em 1927 foi inaugurado o primeiro cinema em Santa Rosa, chamado Cine Santa Rosa. Essa sala não durou muitos anos e, em 1951, foi inaugurado um a nova sala chamada Cine Santa Rosa, na Rua Dr. Mário Viana, 858. Este cinema de segunda linha, um típico "poeira", não chegou aos anos 1980, mas o prédio ainda está de pé, funcionando atualmente como a sede do G.R.E.S. Folia de Viradouro. Na construção da parte da frente hoje funciona um bar, mas o comprido imóvel ao longo da rua lateral tem a arquitetura típica dos cinemas populares, com as colunas laterais (para não atrapalhar a visão), o pé-direito alto (comportando o balcão), as janelas de ventilação (pois não possuiam refrigeração) e o a estrutura de madeira do telhado sustentando as placas de zindo.














É possível notar o palco e o espaço onde ficava a tela, onde hoje são realizados as apresentações dos sambistas.
No segundo andar, pode ser ver perfeitamente os degraus do balcão original da sala de cinema e o local onde ficava a cabine de projeção. A sala localiza no início da subida da Estrada da Cachoeira, no Viradouro.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cinemas de Santa Rosa I - Mandaro

O Mandaro foi inaugurado em 1940, com 800 lugares, na Rua Dr. Paulo César. Apesar de não ter luxo (cadeiras eram de madeira e não tinha ar-condicionado, apenas ventiladores), era muito popular por ficar em frente ao ponto de bonde e num local de grande movimento.
O cinema fechou em 1974 para virar um supermercado Chave de Ouro, que colocou um enorme letreiro tapando a bela fachada art déco original. Hoje o imóvel abriga um supermercado da Rede Multi Market que sobrepôs um banner sobre a fachada do Chave de Ouro.






A lateral do supermercado, entretanto, mantém-se como o cinema era originalmente, inclusive com os respiradores verticais - janelas que permitiam a ventilação do interior, mas barravam a entrada de luz. Um detalhe interessante é o que parece ter sido a saída - provavelmente de serviço e de emergência - na lateral dos fundos do Mandaro, ainda visível.

Próximo post: Cinema Santa Rosa.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Antigos cinemas de Niterói



Artigo publicado na revista O FLU, do jornal O Fluminense, de 9 de setembro de 2012.

Nos últimos dez anos, os niteroienses testemunharam o fim de inúmeras salas de cinema na cidade, particularmente no bairro de Icaraí. Antes disso, nas décadas de 1980 e 1990, outros cinemas de rua localizados no Centro, Fonseca e também em Icaraí já vinham fechando suas portas.
Atualmente, Niterói conta apenas com as salas de cinema do Plaza Shopping e do Bay Market, cenário que provoca lamentos dos moradores e reforça as reivindicações pela reabertura do Cine Arte UFF e do Cinema Icaraí.
Num momento como esse, é ainda mais importante resgatar a história das antigas salas de cinema de Niterói, percebendo como o passado pode nos ajudar a entender e também mudar o presente. É o que pretendo fazer no livro que estou escrevendo através de projeto selecionado em edital público do Instituto Estadual de Patrimônio Artístico e Cultural (INEPAC) do Estado do Rio de Janeiro, a ser lançado no início de 2013.
Muitas pessoas ainda se lembram bem de salas como os cinemas de rua Central e Niterói, ambos na Avenida Visconde do Rio Branco, ou aquelas localizadas em galerias comerciais de Icaraí, como o Windsor, Cine Center ou Estação Icaraí. Os mais antigos podem se lembrar ainda das salas do Fonseca (São Jorge e Alameda) e de Santa Rosa (Mandaro).
Já o passado mais remoto das salas de cinema de Niterói é bem menos conhecido. Quem sabia que a cidade já teve um dos maiores cinemas do Brasil? Em 1920, um antigo Frontão – espaço destinado a partidas de pelota basca, muito popular devido à influência dos imigrantes espanhóis – passou a ser utilizado para a projeção de filmes. Inicialmente utilizado pelo famoso Cinema Éden, posteriormente passou a funcionar como o Cinema Colyseu e se localizava na Avenida Visconde do Rio Branco.
Uma sala popular, com ingressos baratos, o Colyseu se orgulhava de receber até três mil espectadores e de possuir a maior tela do Brasil. Para fins de comparação, a maior parte dos multiplex atuais possui lotação de cerca de apenas trezentos espectadores em cada sala. O Colyseu conheceu seu auge no tempo do cinema silencioso, exibindo superproduções da época, como Ben-Hur, e, numa fase mais decadente, “filmes científicos”, gênero que, sob a fachada respeitável da ciência, atraía o público masculino interessado em cenas de nudez...
A chegada do som mudou muita coisa no circuito exibidor brasileiro, que foi obrigado a se adaptar aos novos e modernos equipamentos, assim como a enfrentar as dificuldades iniciais para atrair o público aos filmes falados e cantados em inglês. Somente alguns meses depois da chegada dos talkies (apelido dos talking pictures) a solução das legendas começou a ser utilizada e aceita pelos espectadores.
Mas uma vez, são poucos os que sabem que Niterói foi a terceira cidade do Brasil a ter um cinema adaptado para o cinema sonoro. Em agosto de 1929, foi inaugurada a novidade do cinema sonoro no então luxuoso Cine-Theatro Imperial, que tinha aberto as portas no ano anterior. Depois de São Paulo (em abril daquele ano) e do Rio de Janeiro (em junho), Niterói já podia se orgulhar de contar com um cinema apto a exibir as mais modernas e luxuosas produções musicais de Hollywood. Muitas cidades do interior demorariam anos até seus cinemas se converterem para a projeção sonora, o que demonstra o pioneirismo da então capital do Estado do Rio de Janeiro.
A sala responsável pela façanha, o Cine-Theatro Imperial, já estaria decadente nos anos 1970 quando foi demolida e em seu lugar construída uma agência bancária. Agora o banco também foi ao chão, cedendo espaço à expansão do Plaza Shopping.
Essas e outras histórias estarão em meu livro, a ser publicado no início de 2013. Quem quiser compartilhar algumas lembranças sobre os cinemas da cidade, pode escrever para cinemasdeniteroi@gmail.com